Furry

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A expressão furry (peludo em inglês) é comumente usada para se referir a diferentes conceitos, geralmente relacionados a animais antropomórficos. Existe muita discussão sobre o "verdadeiro" significado, porém, olhando a situação como um todo, se torna claro que existe mais de um significado "correto".

Resumo[editar]

As pessoas auto-intuladas furries com freqüência são pessoas que participam de uma cultura focada na natureza, sendo amantes de personagens imaginários dos autores de desenhos animados e visualizando lugares onde seres das mais variadas raças mitológicas tomam vida e agem em uma sociedade paralela à humana, porém nem todos os furries batem 100% com essa descrição. Existem vários tipos de furries, tal como os teriantropos aqueles que cultuam valores que remetem ao druidismo e reverência ao espírito da natureza , cartoon furries (que são os genuínos amantes de desenhos animados) ou os Antropomórficos cujos personagens experimentam semelhanças com a sociedade humana nos vários períodos da história, lembrando muitas vezes a Era Vitoriana, mas com a diferença de que os avatares ou fursonas são humanos com características animais, tais como patas, caudas, cabeça (semelhante a seres mitológicos de todas as sociedades antigas, como o Anúbis na cultura egípcia, a sereia ou lobisomens). A sociedade furry também participa e organiza convenções, às vezes com a participação de editoras de histórias em quadrinhos. A cultura furry está presente também em jogos de videogame e computador, como o Inherit The earth, Star Fox, Final Fantasy, entre outros. Personagens furries existem desde quando a humanidade imaginou deuses que são humanos, ao mesmo tempo que são criaturas da natureza, hoje sendo usados principalmente em tiras cômicas nos jornais e desenhos animados. Um dos fatores que facilitaram a expansão desta comunidade foram programas de conversa eletrônica como chats, Mucks e grupos de discussão na Usenet, tal como o Alt.Fan.Furry e o FurryMUCK.

O que significa "ser furry"[editar]

Alguém que diz ser furry está geralmente expressando um interesse em criaturas, personagens ou animais antropomórficos.

A atenção desfavorável da mídia criou um estereótipo negativo de um furry, principalmente na mídia norte americana como em clips do músico Moby, em shows como MTV e Drew Carrey e até nos Simpsons.

Ao contrário de como um furry é retratado na cultura popular, ou na midia de massa, a profundidade ou o significado do interesse em furry varia muito de pessoa para pessoa. Além disso, aquilo que traz o interesse de uma pessoa ao fandom, e o que faz dessa pessoa um furry, é específico de cada indivíduo. Alguém que diz ser furry, faz parte do furry fandom.

Um furry típico é aquele que freqüenta fóruns furry, galerias de arte virtuais, e jogos online, e ocasionalmente convenções. No Brasil a falta de convenções faz com que muitos também participem de convenções e grupos otakus (de anime e desenhos japoneses), diferente da crença popular, principalmente no Brasil, os furries raramente utilizam fursuits, tanto pela dificuldade de produção e falta de matéria prima, quanto pelo elevado custo.

Um mascote de time de futebol por exemplo não pode ser categorizado como furry por estar vestindo um personagem de pelúcia.

Interesses de um Furry[editar]

Desenhos animados e jogos[editar]

O gosto por criaturas ou animais antropomórficos pode se manifestar como o interesse em muitos dos populares personagens furry de desenhos animados ou jogos. Exemplos são Pernalonga, o Tigre Tony, Sly Cooper, Fox (Star Fox), entre outros. Entretanto, alguém que meramente gosta destes personagens, porque são engraçados ou por finalidade estratégica, sem querer saber mais sobre eles ou outros animais antropomórficos, não é necessariamente um furry. O grau e natureza do interesse de cada um é relevante aqui.

Espiritualidade[editar]

Alguns furries acreditam ter uma conexão espiritual com um animal particular, que tipicamente, é sua fursona, mas também pode ser um totem. Fortes crentes espirituais normalmente dizem que são "um animal num corpo humano" (e de fato isto pode os identificar como otherkins, weres ou teriantropos). Lifestylers normalmente são encaixados nesta categoria. Crer ou não em espíritos animais não desqualifica nenhum furry.

Arte e Criatividade[editar]

Alguns furrys podem estar interessados apenas nos aspectos criativos do fandom furry. Conteúdo furry, tanto online quanto offline, é facil de se obter, e disponível em vastas quantidades, e furs produzem novos trabalhos regularmente. Arte furry, é também feita por muitos não-furries, mas também com o fandom como alvo. Outros podem se desassociar do fandom, e referir a si mesmos como artistas de "animais engraçados"(como os Looney Tunes). Furries podem também desfrutar de role-playing (fazer de conta), interpretando o papel de sua fursona, às vezes até escrevendo sobre este personagem ou salvando suas interações online para a posteridade.

Sexualidade[editar]

Não é regra, mas, para alguns furries, a atração sexual para com animais antropomórficos é parte do que os faz furry. Este é um assunto de muita controvérsia e tem sido motivo de atenção precoce da mídia (como a Wired Magazine e a Vanity Fair), fazendo com que isso se tornasse um conceito comum (esteriótipo) da comunidade furry. Não são todos os furries que manifestam tal interesse. Isto criou uns poucos grupos, como os Burned Furs, que têm como alvo desencorajar este ângulo ou criar uma clara distinção entre esses furries e o resto da comunidade. O fandom tem um lado voltado à sexualidade, mas este não é o foco principal do mesmo, embora seja geralmente o mais exposto erroneamente pela mídia.

Fursuit[editar]

Uma pratica entre furries é se vestir com uma fantasia que é tipicamente projetada para representar uma fursona. Essas "fursuits" (furry suits, trajes furry) são geralmente vestidas em convenções. É raro, mas algumas são desenhadas para acomodar "situações sexuais".

História[editar]

Norte Americana[editar]

Acredita-se que o fandom furry originou-se em uma convenção de ficção científica, em 1980, quando um desenho de Steve Gallacci Albedo Anthropomorphics iniciou uma discussão sobre revistas em quadrinhos presentes em convenções de ficção científica.

Porém muitos outros fãs consideram o início do fandom na mesma época em que iniciaram a ser publicadas revistas com personagens animais, livros e desenhos animados, tais como A Longa Jornada de Richard Adams, inicialmente publicada em 1972 (e sua adaptação em desenho animado em 1978), ou Robin Hood, da Disney, lançado em 1973.

Na época de 1980 a quantidade de revistas publicadas por autores comuns (os fanzines) começaram a se multiplicar. Seus autores começavam a reunir-se em encontros sociais até que, em 1987, existia uma quantidade razoável de fãs dispostos a criar o primeiro encontro oficial.

Com a Internet, a quantidade de fãs aumentou e os servidores chats, ambientes virtuais como os MUD e MUCKs transformaram-se em lugares populares de encontro. O mais conhecido (e o maior) até hoje é o FurryMUCK. Surgiram também comunidades no jogo conhecido como Furcadia e atualmente também no SecondLife.

No Brasil[editar]

Não se sabe ao certo quando o fandom se iniciou no Brasil. Com a Internet e, principalmente, os mecanismos de buscas, os fãs que conheciam o furry internacional começaram a identificar pessoas com a mesma afinidade no Brasil. Uma parcela inicial desses fãs brasileiros relatam que conheceram o fandom em busca de imagens de animais ou de desenhos animados. A quantidade de membros do fandom nacional é muito pequena comparada com a do fandom norte americano. Já que o Brasil é um território muito grande, os membros reúnem-se principalmente através de fóruns e mecanismos de conversa instantânea.

O primeiro fórum oficial foi criado no ano de 2000 e chamado de FurryBrasil, existindo até hoje. Outros fóruns difundidos surgiram a partir de membros do FurryBrasil, como o Fórum Felin, criado em 2002 (encerrado em 2004), e o Fórum Furzine. O primeiro fanzine furry nacional foi o Fauna Urbana, depois mantido como um blog. Em novembro de 2009 o Portal Fauna Urbana foi lançado e conta matérias, fotos e notícias sobre o universo furry.

No Brasil são realizados diversos eventos e convenções desde meados da década de 2000. A primeira convenção furry do país chamada Abando, com temática "camping", ocorria sempre na época de carnaval; e desde 2016, é realizada a Brasil FurFest, uma convenção furry de hotel nos mesmos moldes das grandes convenções furries internacionais.

Na mídia[editar]

Desde 2008 a mídia Brasileira expressou interesse na comunidade Furry nacional, e por causa disso, temos algumas publicações oficiais com conteúdo de interesse furry.

São estes:


  • Janeiro de 2008 - NeoTokyo - Com a onda Animê e seus Otakus, a revista resolveu comentar um pouco sobre os furries, já que personagens semelhantes ao freqüentemente encontrados nos arredores de encontros de animes. NeoTokyo


  • 28 de agosto de 2009 - Revista Colors - Com foco especial em tribos jovens, a equipe de reportagem da Revista Colors fotografa e entrevista Ceruno e Kouta Colors Magazine


  • 3 de janeiro de 2010 - Fantástico (Globo) - Após a publicação na revista Colors, a Rede Globo de Televisão se interessa em expor mais sobre a cultura furry (focado em Fursuits) e o que fazem essas pessoas. Fantástico


  • 24 de Abril de 2010 - Caldeirão do Huck (Globo) - Com muito humor a equipe de produção do Caldeirão do Huck resolve vestir os atores com fursuits para criar um ambiente mais lúdico em seu bloco "Lata Velha" Caldeirão do Huck


  • 9 de maio de 2010 - Diário de Guarulhos - Com interesse em falar sobre os furries na região da Capital de São Paulo, a equipe de jornalismo do Jornal Diário de Guarulhos procura a Fauna Urbana para aprender mais e publicar em seu caderno de Sábado. Diário de Guarulhos


  • 26 de julho de 2015 - Durante o Furboliche de Férias, realizado em Santos, uma equipe de TV da emissora Telesur da Venezuela, realizou uma matéria sobre o fandom com ênfase nos fursuiters. [1]


  • 11 de setembro de 2016 - Uma foto da fursuit parade da Brasil FurFest estampou a capa da edição de domingo de A Tribuna, jornal de maior circulação no litoral do estado de SP. O site do jornal e o site da TV Tribuna, afiliada da Rede Globo na Baixada Santista, também publicaram matérias acerca do evento e do furry fandom. A Tribuna Digital



  • 15 de setembro de 2016 - O repórter Gus Lanzetta do jornal O Estado de S.Paulo esteve na convenção Brasil FurFest 2016 e usou a visita como tema para seu podcast "Papo Torto", que é publicado no portal do "Estadão". Estadão


  • 22 de setembro de 2016 - Uma extensa matéria escrita pela repórter Joelle-Marie Declercq sobre o Furry Fandom e a Brasil FurFest foi publicada pelo site noticioso Vice Brasil. Vice Brasil



Apesar de apresentar personagens furries, a mídia expressa interesse maior nos Fursuiters, condição onde os furries (pessoas comuns) vestem fursuits que representam seu personagem (fursona). Porém vale lembrar que fursuiters não compreendem a maior parte da cultura furry, pois assim como os artistas gráficos que necessitam conhecer desenho e arte, montar um fursuit requer muito conhecimento nas áreas de artes plásticas, cênicas e principalmente força de vontade, pois o custo de material também é elevado e o acesso aos materiais é restrito às grandes metrópoles.

Algumas definições populares[editar]

Ser com características de animais e humanos[editar]

Um ser fictício com características de humanos e animais.

Pessoa com afinidade com artes zooantropomórficas[editar]

Muitas pessoas que se interessam por arte antropomórfica se auto-intitulam "furries" (isso abrange tanto pessoas que se interessam por arte yiff quanto as pessoas que preferem arte permitida à todas as idades). Esse é o tipo de fandom mais abrangente atualmente, presente nos EUA, Canadá, grande parte da Europa e América do Sul. Ao contrário do que a maioria das críticas à esse tipo de cultura alega, o furry fandom não se baseia apenas no "yiff", apesar deste fazer parte do Fandom.

Pessoa que se identifica com um ser zooantropomórfico[editar]

Alguém que acredita ser na verdade um ser zooantromomórfico, seja numa base puramente espiritual ou acreditando ser fisicamente preso num corpo humano. O termo usado pra se referir a esse "alter-ego" furry é "fursona" (porém nem todas as fursonas são consideradas como uma realidade e alguns furries apenas consideram suas fursonas como um avatar nas suas interações). Algumas pessoas se referem a essas pessoas como furries (no sentido de animal antropomórfico)verdadeiros ou furries na vida real. Essa categorização muitas vezes sobrepõe à teriantropia, porém nem todos os teriantropos se consideram furries.

Referências[editar]

Veja também[editar]

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